A exportação de calçados mantém o Brasil em posição de destaque no comércio internacional. Em 2026, porém, o setor enfrenta mudanças no consumo, retração em mercados importantes e maior concorrência global.
Esse cenário reforça a importância de diversificar os mercados compradores e acompanhar as oportunidades que surgem em diferentes regiões. Estados Unidos e Argentina continuam relevantes para o setor, enquanto países da América Latina, Europa, Ásia e Oriente Médio também fazem parte das estratégias de internacionalização da indústria brasileira.
Para competir no exterior, não basta encontrar compradores. Custos, prazos, transporte e documentação fazem parte do planejamento logístico e influenciam diretamente a competitividade.
Então, por onde começar para levar os calçados brasileiros a outros mercados? Para entender o setor e as possibilidades para sua empresa, acompanhe os principais pontos desse processo.
A indústria de calçados no Brasil
A indústria de calçados no Brasil tem uma longa trajetória. Sua formação ganhou força com a chegada de imigrantes alemães e italianos que se estabeleceram principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A experiência desses grupos com o trabalho em couro contribuiu para o desenvolvimento da produção, especialmente no Rio Grande do Sul.
A partir do fim da Guerra do Paraguai e da chegada de novas tecnologias vindas da Europa no final do século XIX, a indústria avançou. Se antes a produção era predominantemente artesanal, ao longo do tempo ganhou escala e se transformou em uma atividade industrial relevante para o país.
Hoje, o Brasil é o 5º maior produtor mundial de calçados e o maior fora da Ásia. Em 2025, foram produzidos cerca de 847,5 milhões de pares, demonstrando a dimensão dessa cadeia produtiva.
Os dados atuais sobre a exportação de calçados
Os números de 2026 mostram um cenário mais desafiador para a exportação de calçados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou 62,45 milhões de pares, movimentando US$ 541,45 milhões.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 7,5% no volume exportado e de 16,8% na receita. Segundo a entidade, o resultado foi influenciado principalmente pelas dificuldades encontradas nos mercados dos Estados Unidos e da Argentina.
Isso significa que as oportunidades desapareceram? Não. O cenário reforça a necessidade de diversificar destinos e acompanhar com atenção as mudanças no comércio internacional.
Além das oscilações no consumo, o setor acompanha o reposicionamento das cadeias produtivas e comerciais. Esse movimento pode abrir espaço para outros destinos e exige das empresas mais atenção às oportunidades fora dos mercados tradicionais.
Nesse contexto, alguns fatores ganham importância:
- planejamento logístico,
- custos,
- prazos,
- escolha dos destinos.
Para competir no exterior, as empresas brasileiras precisam combinar estratégia comercial com uma operação de exportação eficiente e preparada para acompanhar diferentes mercados.
Por que exportar calçados
As empresas que fabricam calçados podem encontrar na exportação uma oportunidade para ampliar sua presença comercial. Chegar a novos mercados contribui para a diversificação das receitas, o fortalecimento da marca e a redução da dependência de um único mercado consumidor.
Além disso, o Brasil possui uma cadeia calçadista diversificada, formada por diferentes polos produtivos, materiais, fornecedores e estilos. Essa variedade permite atender perfis distintos de consumidores no exterior.
A expansão internacional, portanto, pode contribuir para fortalecer a marca e ampliar sua competitividade global.
Um exemplo de iniciativa voltada a esse objetivo é o Brazilian Footwear, programa desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a ApexBrasil para incentivar a internacionalização da indústria calçadista brasileira.
Renovado para o ciclo 2026/2028, o projeto prevê R$ 45,63 milhões em ações de internacionalização, promoção comercial e fortalecimento da imagem do produto nacional no exterior.
Entre as iniciativas estão feiras e rodadas de negócios, missões de prospecção, inteligência comercial, Programa Comprador e Projeto Imagem. Os mercados prioritários definidos para o período são:
- Estados Unidos,
- Colômbia,
- Chile,
- Emirados Árabes Unidos,
- Reino Unido,
- Japão.
Arábia Saudita e África do Sul foram definidas como mercados secundários do programa.
Como fazer exportação de calçados
A partir de orientações do Governo Federal e de instituições como o Sebrae, existem etapas que precisam ser observadas por empresas interessadas na exportação de calçados.
Conhecer esses procedimentos antes da primeira negociação internacional ajuda a organizar a operação e evitar pendências ao longo do processo.
A preparação
A primeira etapa para começar a exportar é preparar a empresa para operar no comércio exterior. A habilitação no Siscomex é regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 1.984/2020.
Atualmente, a solicitação de habilitação é realizada pelo Sistema Habilita, disponível no Portal Único Siscomex.
O processo é digital e, conforme o enquadramento, a habilitação pode ocorrer de forma automática. O chamado RADAR está relacionado à habilitação da empresa para atuar no comércio exterior e não deve ser tratado como um cadastro independente.
As operações de exportação também são realizadas por meio do Portal Siscomex, que funciona como uma interface entre empresas e órgãos governamentais. É nele, por exemplo, que o exportador registra e acompanha a Declaração Única de Exportação (DU-E).
A etiquetagem
Outro ponto que merece atenção é a etiquetagem. As exigências aplicáveis aos calçados variam conforme o produto e, nas exportações, também precisam considerar as regras estabelecidas pelo mercado de destino.
No Brasil, a Lei 11.211/2005 trata da identificação do couro e das matérias-primas sucedâneas utilizadas na confecção de calçados.
Por isso, antes de exportar, é importante verificar quais informações precisam acompanhar o produto no país comprador. Uma exigência aparentemente simples de etiquetagem pode interferir na entrada da mercadoria no destino.
A embalagem
Todo manuseio e transporte internacional de calçados exige o uso de embalagens apropriadas para proteger os produtos ao longo da operação.
Elas podem ser primárias ou secundárias. Entre os exemplos estão caixas de papel-cartão, sacos de papel e sacos plásticos, escolhidos de acordo com as características dos produtos e as necessidades do transporte.
As amostras
Também é comum o envio de amostras de calçados durante processos de prospecção e negociação comercial.
Mesmo quando o volume é pequeno, o envio precisa atender aos procedimentos aplicáveis ao comércio exterior. Por isso, essa etapa também exige atenção à documentação, ao enquadramento da remessa e às exigências do destino.
A documentação para exportar calçados
A documentação é uma etapa essencial da exportação de calçados. Os documentos necessários podem variar conforme a NCM da mercadoria, o país de destino, as condições da negociação e possíveis exigências dos órgãos envolvidos.
Fatura Proforma
A Fatura Proforma (Proforma Invoice) apresenta as condições iniciais da negociação. Nela, podem constar informações sobre produtos, quantidades, valores, forma de pagamento, Incoterm, prazos e condições de entrega.
Fatura Comercial
Após a confirmação da venda, é emitida a Fatura Comercial (Commercial Invoice). O documento identifica exportador e importador e detalha mercadorias, quantidades, valores unitários e totais, origem, moeda e condição de pagamento, além do Incoterm negociado.
Carta de Crédito
A Carta de Crédito é uma modalidade de pagamento utilizada no comércio internacional. Nela, um banco assume o compromisso de efetuar o pagamento ao exportador quando as condições e os documentos estabelecidos na negociação forem atendidos.
Packing List
O Packing List, ou Romaneio de Carga, facilita a conferência física da mercadoria. Ele identifica os volumes embarcados, seus conteúdos, pesos e outras características das embalagens, apoiando os procedimentos logísticos e aduaneiros.
Certificado de Origem
O Certificado de Origem comprova a origem da mercadoria e pode permitir benefícios tarifários previstos em acordos comerciais. Sua emissão não é obrigatória em todas as exportações e depende das regras aplicáveis ao país de destino e ao acordo comercial envolvido.
Conhecimento de Embarque
O Conhecimento de Embarque é emitido pelo transportador internacional e registra o recebimento da carga para transporte. O documento varia conforme o modal, como Bill of Lading (B/L) no marítimo, Air Waybill (AWB) no aéreo e CRT no rodoviário.
Declaração Única de Exportação (DU-E)
A Declaração Única de Exportação (DU-E) é registrada no Portal Único Siscomex e serve de base para o despacho aduaneiro. Ela reúne informações:
- aduaneiras,
- administrativas,
- comerciais,
- financeiras,
- tributárias,
- fiscais,
- logísticas.
Quando há emissão de Nota Fiscal eletrônica, a DU-E aproveita dados da NF-e por meio da integração dos sistemas. Dependendo da NCM e do tratamento administrativo da mercadoria, também podem ser exigidas licenças, permissões, certificados ou outros documentos (LPCO).
Vale a pena exportar calçados?
Sim, desde que a decisão esteja alinhada à estratégia e à capacidade da empresa. A exportação de calçados pode representar uma oportunidade para negócios que buscam diversificar receitas, ampliar mercados e fortalecer a presença da marca no exterior.
O Brasil ocupa atualmente a posição de 5º maior produtor mundial de calçados e é o maior produtor fora da Ásia.
A concorrência, porém, é forte. Entre os principais polos produtores globais estão:
- China,
- Índia,
- Vietnã,
- Indonésia.
Ao mesmo tempo, as mudanças no consumo e o reposicionamento das cadeias produtivas criam oportunidades em diferentes regiões, incluindo mercados considerados estratégicos pelo Brazilian Footwear.
Aproveitar essas oportunidades exige mais do que encontrar compradores. Custos de transporte, prazos, escolha do modal, documentação e previsibilidade da operação influenciam diretamente o preço e a competitividade do calçado brasileiro no destino.
Por isso, estratégia comercial e planejamento logístico precisam caminhar juntos. Antes de cada embarque, entender o mercado, avaliar alternativas e coordenar as pessoas envolvidas na operação contribui para decisões mais consistentes.
Sua empresa está avaliando novos mercados para os calçados brasileiros? Fale com a gente e converse com a equipe da DC Logistics Brasil sobre o planejamento logístico da sua próxima exportação.

FAQ – Exportação de calçados e logística internacional
Para iniciar a exportação de calçados, a empresa precisa se preparar para atuar no comércio exterior, avaliar mercados compradores, organizar a documentação, definir a estratégia logística e verificar as exigências do país de destino. Também é importante entender custos, prazos, formas de pagamento, Incoterms e condições de transporte antes da primeira negociação internacional.
Para exportar calçados do Brasil, é necessário que a empresa esteja habilitada no Siscomex, registre suas operações no Portal Único Siscomex, organize documentos comerciais e logísticos e observe as exigências aplicáveis ao produto e ao país comprador.
Entre os pontos que exigem atenção estão classificação fiscal, etiquetagem, embalagem, documentação, modal de transporte e requisitos específicos do destino.
Os documentos usados na exportação de calçados podem variar conforme a mercadoria, o destino e a negociação, mas geralmente incluem Fatura Proforma, Fatura Comercial, Packing List, Certificado de Origem, Conhecimento de Embarque e Declaração Única de Exportação (DU-E).
Dependendo da NCM e do tratamento administrativo, também podem ser exigidas licenças, permissões, certificados ou outros documentos complementares.
Sim. A etiquetagem é importante porque as exigências variam conforme o tipo de calçado e o mercado de destino. No Brasil, a Lei 11.211/2005 trata da identificação do couro e das matérias-primas sucedâneas utilizadas na confecção de calçados.
Antes de exportar, é essencial verificar quais informações precisam acompanhar o produto no país comprador, evitando problemas na entrada da mercadoria.
A embalagem influencia diretamente a proteção dos calçados durante o manuseio, armazenagem e transporte internacional. Caixas, sacos e embalagens secundárias devem ser escolhidos de acordo com as características do produto, o modal utilizado e as condições da operação.
Uma embalagem inadequada pode aumentar riscos de avarias, atrasos e custos adicionais.
Sim, a exportação de calçados pode ser uma oportunidade para empresas que desejam diversificar receitas, fortalecer a marca e ampliar sua presença em mercados internacionais. O Brasil é o 5º maior produtor mundial de calçados e o maior fora da Ásia, o que reforça a relevância da indústria nacional.
Para que a operação seja competitiva, estratégia comercial e planejamento logístico precisam caminhar juntos.
Estados Unidos e Argentina continuam sendo mercados relevantes para o setor calçadista brasileiro. Além deles, países da América Latina, Europa, Ásia e Oriente Médio também fazem parte das estratégias de internacionalização da indústria.
No ciclo 2026/2028 do Brazilian Footwear, os mercados prioritários incluem Estados Unidos, Colômbia, Chile, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Japão.
A logística impacta a competitividade ao influenciar custos, prazos, escolha do modal, documentação, previsibilidade e cumprimento das condições negociadas com o comprador internacional.
Uma operação bem planejada ajuda a reduzir riscos, evitar atrasos e fortalecer a confiança entre as pessoas envolvidas em cada etapa da exportação.
O envio de amostras de calçados também precisa seguir procedimentos de comércio exterior, mesmo quando o volume é pequeno. É necessário observar documentação, enquadramento da remessa, exigências do país de destino e eventuais regras aplicáveis ao produto.
Essa etapa costuma fazer parte da prospecção comercial e deve ser planejada com atenção.
A DC Logistics Brasil apoia empresas na exportação de calçados com atendimento consultivo, planejamento logístico, análise de modais, acompanhamento operacional e suporte na construção de operações internacionais mais previsíveis.
Com experiência desde 1994 em logística internacional e comércio exterior, a DC conecta empresas brasileiras a mercados globais por meio de soluções alinhadas às necessidades de cada operação.




