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Navio Oceanográfico Professor W. Besnard pode ser transformado em museu em Ilhabela (SP)

Uma polêmica cerca o futuro do navio oceanográfico Professor W. Besnard, atracado no Porto de Santos. O Instituto do Mar (Imar) quer manter emersa a embarcação, um ícone da pesquisa marinha no País, para transformá-la em um museu. A entidade entrou com um pedido de tombamento do navio pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico e conseguiu barrar uma consulta pública, que seria realizada no início deste mês, em Ilhabela (SP).

Embora o Imar busque que a embarcação permaneça emersa e que seja utilizada como um espaço cultural marítimo de visitação contínua, ainda não foi descartada outra opção de destino: o naufrágio do W. Besnar para que o navio se torne um recife natural destinado ao mergulho. Em entrevista para o portal A Tribuna, o presidente do Imar, Fernando Liberalli Simoni desabafou. “Esse é um navio histórico e não pode parar no fundo do mar. Já ofereci outros dois navios, sem história, e até um avião, que é muito mais interessante, para que eles afundassem, mas não demonstraram interesse”.

Fernando destacou ainda outro ponto polêmico. “O local que foi estipulado para se criar o recife natural, perto da Praia da Serraria, atrapalha as comunidades que vivem neste local. São pescadores que já estão se manifestando contra a ação”, disse. Para garantir que o navio não pare no fundo do mar, Simoni também acionou o Ministério Público Federal de Caraguatatuba (Litoral Norte do Estado).

O secretário de Meio Ambiente de Ilhabela, Mauro de Oliveira, garantiu que o prefeito vê as duas propostas como benefícios para a cidade, mas está avaliando a questão com o jurídico para ver qual será o próximo passo e se uma nova audiência pública será marcada. Enquanto isso, o navio oceanográfico Professor W. Besnard segue atracado no Cais do Valongo, na Margem Direita do Porto de Santos.

Mais sobre o navio oceanográfico Professor W. Besnard
O navio norueguês foi construído em 1966 e começou suas atividades pela USP em 1967. O nome é uma homenagem ao primeiro diretor do Instituto Oceanográfico, Wladimir Besnard, morto em 1960.

Após mais de 40 anos em operação, a embarcação é referência na história da Oceanografia. Permitiu o desenvolvimento de importantes projetos de pesquisa em águas territoriais brasileiras e em águas internacionais. Foi nele que oito pesquisadores fizeram a primeira expedição nacional oficial à Antártida, realizada entre 1982 e 1983.

Depois do incêndio que a embarcação sofreu em 2008, sua navegabilidade ficou comprometida, assim como outras funções, tornando-a inoperante. Com a chegada de outros navios de pesquisa do Instituto Oceanográfico, nos últimos anos ele ficou em completo desuso e começou seu processo de deterioração.
Antes do interesse da Prefeitura de Ilhabela, o barco oceanográfico quase foi vendido ao Governo do Uruguai, onde seria reformado para auxiliar em pesquisas acadêmicas. A Prefeitura de Santos também cogitou transformá-lo em um museu, mas a ideia também não foi para frente devido aos custos envolvidos no projeto.

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