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Tecnologias podem reduzir emissão de poluentes no Porto

Principal complexo marítimo do País e responsável pelo escoamento da maior parte do agronegócio nacional, o Porto de Santos bate recordes a cada ano e gera divisas para o Brasil e as cidades que o abrigam. Mas, com a movimentação de cargas, surgem também os transtornos causados pelas operações.

Poluição atmosférica, sujeira e forte odor incomodam e causam doenças em moradores de bairros próximos ao cais santista. Entretanto, existem equipamentos especiais que podem minimizar esses impactos. A tecnologia, que tem se aperfeiçoado nos últimos anos, está disponível e alguns terminais prometem se adequar.

No ano passado, 57.087.478 toneladas de granéis sólidos de origem vegetal foram movimentadas no Porto de Santos. Cargas como soja, milho, açúcar e trigos e encaixam nesta denominação. Só nos primeiros nove meses deste ano (os que já foram contabilizados pela Codesp, a Autoridade Portuária), o volume chegou a 39.965.478 toneladas de grãos.

Na Margem Direita (Santos), a maior parte dessas cargas é escoada por terminais próximos a bairros residenciais, como a Ponta da Praia, o Estuário e o Macuco. Para essa parte da população, tanto o transporte das mercadorias (o trânsito de caminhões) como a armazenagem e as operações de embarque e desembarque se tornam um tormento.

Segundo o engenheiro ambiental e de Segurança do Trabalho Alexandre Colin Gomes Filho, da Ambiens, consultoria especializada que atua no Porto de Paranaguá (PR), é possível minimizar os impactos e resolver o problema. Basta instalar equipamentos capazes de conter as emissões de partícula se odores.

“As atividades desenvolvidas nos portos podem resultar em diferentes tipos de emissões para a atmosfera, na forma particulada, gasosa ou de vapor, que se devem à carga e à descarga de navios, à estocagem em pátios e armazéns, à movimentação de veículos e às atividades de apoio”,explicou.

Conforme Gomes Filho, os padrões de emissão e da qualidade do ar são os fatores que devem nortear o controle das atividades portuárias. Esses índices são registrados pela Cetesb, que mede a quantidade de micropartículas por metro cúbico de ar. Os resultados obtidos vão de zero, que indica boa qualidade do ar, até 200, para casos considerados péssimos.

A fim de reduzir os impactos das operações portuárias no ar, uma boa alternativa, segundo o
especialista, é a instalação de precipitadores eletrostáticos, filtros de mangas e lavadores. Mas, para operações 100% limpas, é necessário o enclausuramento das esteiras transportadoras e a limpeza contínua de
pátios e armazéns.

A implantação de shiploaders (carregadores de navios), com sistemas de aspiração de grãos, e filtros em armazéns são outras opções para evitar as emissões de partículas suspensas.

PRECIPITADORES

Os métodos utilizados para conter os poluentes atmosféricos são baseados em duas concepções, explica o engenheiro ambiental. “Há o controle dos processos que geram as emissões e, ainda, equipamentos que impedem ou reduzem o lançamento das emissões na atmosfera ou a concentração de determinado poluente na emissão. Uma análise criteriosa de custo-benefício deve ser feita para a escolha da melhor alternativa, pois, em certos casos, pode não ser necessária a implantação de processos e equipamentos mais complexos, com necessidades operacionais e custos de manutenção mais elevados”, disse.

Precipitadores eletrostáticos são equipamentos de controle de poluição bastante utilizados em fábricas que emitem gases e partículas poluidoras à atmosfera.Eles podem ser molhados ou secos. O primeiro tipo recupera partículas úmidas. Já o segundo é empregado para remover partículas secas, como poeira, cinzas e pequenos grãos.

O processo de extração dos poluentes começa com uma ionização do ar, no qual as partículas são eletrostaticamente carregadas. Os mecanismos de coleta ontidos nas laterais do precipitadoras atraem e as neutralizam, antes de serem liberadas para um funil. Finalmente, um transportador leva o material para a área de descarte, onde terão o tratamento adequado.

FILTROS DE MANGAS

Outro equipamento citado pelo especialista é o filtro de manga, que separa as partículas através da passagem do ar. As impurezas são retidas nos poros dos fios e na superfície do filtro.

Com o tempo, o acúmulo de substâncias retidas cria uma barreira que também atua como meio filtrante, porém, deve se ter o cuidado de manter o filtro sempre limpo. Gomes Filho também aponta o uso de lavadores tipo Venturi, para evitar a propagação de partículas de correntes da atividade portuária. Trata-se de um equipamento que remove esse material e absorve gases, reduzindo odores decorrentes da armazenagem dos grãos.

O lavador utiliza um líquido que é atomizado e forma gotas que atuam na coleta de partículas. Tudo é feito com um gás que corre em alta velocidade pelos tubos do equipamento.

Além da instalação desses aparelhos, também são necessários procedimentos especiais para reduzir as emissões de partículas durante as operações portuárias.

Fonte: A Tribuna

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